O Orixá Ogum no Batuque do Rio Grande do Sul: Caminhos, Ferro e Batalhas

Ilustração do Orixá Ogum em arte linear

Orixá da guerra, das batalhas, dos metais, da agricultura, dos caminhos e da tecnologia. Ogum é o guerreiro ancestral que defende as leis e a ordem. Ele representa todas as batalhas da vida e faz parte de tudo aquilo que o ser humano precisa lutar com firmeza para alcançar a vitória. Foi Ogum quem ensinou os homens a manufaturar o ferro e o aço, e a ele pertence o obé — a faca utilizada para os sacrifícios rituais.

Em muitas passagens e lendas, ele aparece como irmão de Odé e Bará. Um símbolo de sua proteção sempre visível e marcante é o màrìwò (mariô) — as folhas do dendezeiro desfiadas que são colocadas sobre as portas de entrada das casas e templos para blindar o axé contra energias negativas. Depois de Bará, Ogum é a divindade que se posiciona mais próxima dos homens. Seu símbolo principal é uma espada de ferro chamada idà, e ele domina o fogo e o ferro, elementos onde são forjados instrumentos como a faca, a enxada, a ferradura, a lança, o martelo, a bigorna e a pá.

Por ser o dono do obé (faca), seu culto vem logo após o Bará, pois sem as ferramentas que lhe pertencem não seriam possíveis os sacrifícios dentro do Axé. Senhor dono das estradas de ferro e dos caminhos, Ogum atua fortemente como o protetor dos militares, soldados, ferreiros, agricultores e de todos os trabalhadores.

Principais Fundamentos e Características de Ogum

  • Saudação: Ogunhê!
  • Dia da Semana: Segunda-feira (específico para a qualidade de Ogum Avagãn) e Quinta-feira (para as demais qualidades).
  • Número de Vibração: 07 e seus múltiplos.
  • Cores: Vermelho e verde, podendo-se usar azul e verde para Adiolá.
  • Guia (Fio de Contas): Contas nas cores vermelha e verde-escuro.
  • Ferramentas: Alicate, espada, faca, bigorna, búzios, moedas, martelo, tenaz, lança e ferradura.
  • Sacrifícios Litúrgicos: Galo vermelho dourado (aves) e cabrito de cor branca, vermelha, malhada ou escura (sendo terminantemente proibido o uso de animal na cor preta).

Os Adjuntós e o Sincretismo na Tradição do Sul

Na estrutura litúrgica do Batuque, os caminhos de Ogum se cruzam com outras divindades através dos Adjuntós, trazendo também as seguintes correlações com o sincretismo religioso:

  • Ogum Avagãn: Faz adjuntó com Oyá Timboá (sincretizado historicamente em São Paulo).
  • Ogum Onira: Faz adjuntó com Oiá (sincretizado historicamente em São Jorge).
  • Ogum Adiolá: Faz adjuntó com Oxum Pandá ou Iemanjá Bocí (sincretizado historicamente em São Jorge).

A Egbé / Frente (Oferenda Oficial)

A preparação da oferenda para Ogum evoca o vigor do Orixá e a energia do trabalho. A bandeja (ou alguidá) é montada com uma base unificada, variando apenas o ponto de preparo da carne conforme a qualidade:

A base da oferenda é estruturada com um pacote de farinha de mandioca misturada ao azeite de dendê, preparando o tradicional miân. Sobre essa farinha, coloca-se um punhado de pipoca branca e 01 laranja de umbigo cortada em cruz.

Ajuste por Qualidade:

  • Para Ogum (Onira e Adiolá): Adiciona-se à bandeja um pedaço de costela de gado de 7 ossos assada tradicionalmente.
  • Para Ogum Avagãn: A estrutura e os elementos da bandeja permanecem exatamente os mesmos, modificando apenas o ponto da carne, devendo a costela de gado de 7 ossos ser apresentada um pouco mais assada.